Gestão de risco corporativo: Mercado, carreira, perspectivas e o que fazer

Risco é pertinente a qualquer negócio. Pode ser positivo ou negativo e depende de como você lida com ele. Este foi o papo na live, no dia 08, com a Camila Pezzutti Ishiawa, VP Operations Management and Middle Office do Grupo Rendimento

A área de gestão de risco é um segmento que tende a evoluir no cenário pós-pandemia. Não são só as grandes empresas que precisam se preocupar em ter um setor destinado aos possíveis riscos Todo mundo deveria focar esse assunto e fazer uma análise das ações para já estar preparado, caso algo venha a acontecer.

Gestão de Risco: mercado, carreira e perspectaiva foi o tema da live exibida no instagram da WePlanBefore, no dia 08/07, com Camila Pezzutti Ishiawa. Ela tem 14 anos de experiência em gestão de risco e é líder do grupo de mulheres em Gestão de Continuidade de Negócio DRI Foundation (link). Falamos também sobre a ascensão desse setor e o futuro.

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O que é gestão de risco?

C.I. Vou tentar deixar isso nada técnico. Gerir, é algo que você precisa conhecer, saber e monitorar. Isso vale para tudo. O risco é associado a conotação negativa, mas ele pode ser uma possibilidade, porque é a probabilidade de algo acontecer que pode trazer benefícios para vida ou empresa. Ele pode ser positivo ou negativo, porque é uma incerteza com probabilidade. 

Então, gestão de risco é conhecer, identificar, avaliar, testar e colocar controle no seu risco. É você ter conhecimento e ser capaz de gerir uma equipe e fazer a preparação das pessoas.

Quanto as empresas estão preparadas para lidar com riscos, sejam positivos ou negativos?

C.I. Não existe uma faculdade de gestão de risco, e sim, existem certificações técnicas. E, a partir daí, ocorre a formação de uma equipe de gestão de riscos. A preparação depende muito da organização, porque você precisa ver o tamanho da empresa e o que ela quer fazer, porque a gestão de risco está atrelada a tudo, não só a governança. 

A primeira coisa que você precisa ter é uma equipe multidisciplinar e conhecer o produto e stakeholders, ou seja, as partes interessadas, porque você deve satisfação a elas. O apetite do risco das empresas vai ser o responsável por designar o quanto elas vão investir nesse setor. Se tiver um apetite maior para o risco, ela vai aplicar mais em gestão de riscos.

Nunca se falou tanto em gestão de risco e gestão de crise. Você vê que de tanto que tem saído, as informações estão corretas ou há uma certa confusão de termos?

C.I. Por eu ser uma pessoa técnica em gestão de risco, é difícil falar, porque as pessoas não tem obrigação de saber, pois não são especialistas. Então, se eu definir um problema e fizer uma governança correta e atingir o que eu preciso, não tem problema a confusão. Os veículos de comunicação, como fontes de educação e informação, têm obrigação de ter um conhecimento adequado a respeito dos termos, pois, dessa forma, auxiliam no entendimento da forma correta.

Por que existe gestão de risco?

C.I. A gestão de riscos existe para a empresa maximizar os seus lucros e reputação. Esse setor nada mais é do que pegar todos os ativos e ver qual vai ser o risco de determinada ação ter um problema e causar danos na parte financeira e na imagem de uma empresa. 

Por exemplo, a Ambev tem um gestão de riscos bem elaborada porque ela quer maximizar o lucro. Então, cada pessoa que está lá sabe cada passo que deve dar para não ter problema e perdas. E se houver uma queda, saber qual vai ser o tamanho.

Você vê que a gestão de risco e gestão de crise virou uma profissão atual ou da moda?

C.I. Ambas são profissões que já existiam, porém com outro nome e com departamentos menores. Eu acho que a conscientização geral fez essa carreira crescer. Então, vamos dizer assim, existe uma valorização para a quantidade de cursos que existem. E, isso mostra uma valorização da profissão sim. Hoje, até existem cursos específicos e é uma área muito ampla que tem crescido. 

Mas ela tem crescido porque tem muitos incidentes acontecendo, como os desastres naturais. Então, torna-se um mercado explorável em que já há muita gente boa trabalhando, porém que precisa de mais pessoas. Essa é uma profissão crescente, que tem demanda e mercado. 

Quais qualificações você sugere para quem quer se especializar em riscos e crise, e como entrar para esse negócio que as empresas vão focar mais?

C.I. Gestão de risco não é específica para um ramo. Ela pode ser para qualquer coisa e o melhor investimento são os livros. Para atuar nela, é preciso ter sensibilidade, gostar de investigar, ter noção de finanças, gostar de estatísticas, ter interesse em saber de produtos e processos da empresa, ser amante da leitura e ser curioso. 

Essa é uma área que, na minha visão, não é necessário faculdade pelo fato de não ser algo tão técnico, mas existem muitas certificações que, em geral, são cursos de uma semana com uma prova final. Na internet, você pode ver modelos de gestão de riscos e fazer cursos online. 

Para entrar nesse negócio, você pode procurar por vagas no site das empresas que quer trabalhar. Tenho certeza que vai ter vagas, porque o mercado vai ser aquecido nesse ramo.

Considerando a pandemia, estamos na “Era” do risco ou da crise?

C.I. Sempre estamos na era do risco, pois ele sempre existiu. Também estamos na época da crise, e ela vai mudando. O risco é inerente, mas a crise pode ser evitada dependendo do cenário. Pode ser pequena, média ou grande. Tudo depende do quanto eu me preparei para ela, o quanto testei e o quanto as pessoas estão preparadas. 

Estamos sempre em crise, e ela nem sempre é negativa, pois é uma oportunidade, que, por sua vez, pode ser positiva ou não. 

Quando acabar a pandemia, vamos sair da crise?

É uma resposta pessoal, mas, para mim não. Quando sairmos dessa, vamos entrar em outra, porque vamos enfrentar mais um desconhecido. Na crise, as empresas se fortalecem mais, pois é uma oportunidade. Têm coisas ruins, mas têm coisas boas.

Fala um pouco sobre projetos de mulheres que você lidera

Fazem três anos que comecei nele. Eu fui procurada e convidada por uma instituição dos Estados Unidos, a Disaster Recovery Institute para criar um grupo de mulheres para auxiliar outras na profissão e, dessa forma, aumentar o percentual de mulheres atuando na gestão de risco. Fui responsável por dar continuidade no projeto aqui no Brasil. Então, a gente se reúne a cada dois meses e ele tem sido bom, tido bons frutos, aumentos, promoções e mudança de empresa. Desde então, esse tem sido meu objetivo de vida. É algo voluntário que incentiva outras mulheres nessa carreira maravilhosa. Meu objetivo é transformar a vida dessas mulheres com gestão de risco.

O vídeo da entrevista está disponível no IGTV da WePlanBefore (Gestão de risco: Mercado, carreira e perspectivas).

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