Estudo WPB: análises de ameaças que podem afetar seu negócio e sua reputação em 2026

Introdução

Empresas não operam mais em ambientes previsíveis. O ano de 2025 expôs, com clareza cirúrgica, que a imprevisibilidade deixou de ser exceção: ela se tornou parte estrutural da rotina corporativa. Organizações que antes enxergavam riscos como eventos externos, raros ou gerenciáveis em departamentos isolados, hoje lidam com crises que atravessam áreas, expõem vulnerabilidades culturais e pressionam o topo da liderança.

Ao longo do último ano, diversos incidentes ganharam escala crítica por falta de preparo organizacional. Vazamentos de dados, ataques cibernéticos, falhas de terceiros, ruídos éticos, pressões regulatórias e narrativas descontroladas comprometeram operações, reputações e valor de mercado. Não foram eventos isolados, foram sinais claros de que o risco, quando mal gerenciado, escala silenciosamente até se tornar irreversível.

A WePlanBefore, diante desse contexto, cruzou dados de crises ocorridas em 2025, tendências de mercado, análises regulatórias e projeções estratégicas para mapear as ameaças mais relevantes para 2026. Este estudo tem como foco profissionais de continuidade de negócios, gestão de crise, segurança, reputação, governança e C-Level, que precisam tomar decisões com base em inteligência, e não apenas em intuição.

Mais do que uma lista de riscos, este relatório propõe uma leitura estruturada sobre quais ameaças têm maior potencial de ativar comitês de crise, exigir continuidade operacional e comprometer a imagem institucional, em um cenário onde a velocidade da resposta e a qualidade da liderança são diferenciais incontornáveis.

O que você verá a seguir não é previsão. É leitura estratégica de um cenário já em curso.

1. Ciberataques e vazamento de dados críticos

Nenhuma ameaça cresceu tanto em sofisticação e impacto quanto os ataques cibernéticos. Em 2025, incidentes como o da Mark & Spencer expuseram não apenas vulnerabilidades técnicas, mas fragilidades reputacionais e operacionais.

O sequestro de dados sensíveis, paralisação de sistemas críticos e exposição pública de informações sigilosas têm causado prejuízos multimilionários e, mais do que isso, revelado falhas estruturais na governança digital das empresas. A preocupação não é apenas com a segurança da informação, mas com a capacidade de resposta diante de um ataque que se torna público e disruptivo.

A ameaça para 2026 é clara: as tentativas de ataque vão aumentar, com foco em setores financeiros, saúde, varejo, logística e governo. Empresas que não possuem uma estrutura clara de resposta a incidentes — incluindo times treinados, simulações regulares e critérios de escalonamento — estarão vulneráveis não apenas ao impacto direto, mas à perda de confiança de clientes, parceiros e investidores.

2. Interrupção de fornecedores e terceiros críticos

Outro aprendizado central de 2025 foi o quanto as organizações estão expostas a falhas fora de seu controle direto. Terceirizações de serviços, cadeias de suprimentos globais e plataformas tecnológicas compartilhadas tornaram-se vetores de inatividade operacional.

Interrupções causadas por greves, falências, desastres naturais, ataques cibernéticos em fornecedores ou problemas de governança terceirizada levaram grandes empresas a perdas operacionais severas, inclusive em setores altamente regulados.

Em 2026, a dependência de terceiros se mantém alta, e a falta de visibilidade sobre os riscos desses parceiros seguirá como um ponto cego perigoso. Um único elo da cadeia pode comprometer o todo. O impacto não se limita à operação, compromete a imagem institucional quando os clientes não conseguem distinguir onde começa e onde termina a responsabilidade da empresa contratante.

3. Fake News, desinformação e crises de reputação aceleradas

A rapidez com que boatos e narrativas falsas se espalham tornou-se um dos fatores mais difíceis de controlar nas crises recentes. Empresas expostas em redes sociais, mesmo quando inocentes ou alvos de informações distorcidas, enfrentaram verdadeiras tempestades reputacionais, com cobertura da imprensa e reações em cadeia de clientes, acionistas e reguladores.

Em 2025, casos emblemáticos mostraram como o silêncio ou a resposta mal planejada podem amplificar o dano. A expectativa para 2026 é que o ambiente digital continue hostil: influenciadores, deepfakes, bots e comunidades polarizadas tendem a acelerar a escalada de crises reputacionais, inclusive a partir de incidentes operacionais simples que ganham dimensão pública desproporcional.

Empresas que não possuem protocolos claros de monitoramento, verificação e resposta coordenada perdem a narrativa e, com isso, o controle do dano.

4. Fraudes internas, conflitos éticos e quebra de governança

As investigações de fraudes e condutas antiéticas internas continuaram sendo responsáveis por quedas de CEOs, escândalos corporativos e perdas bilionárias em 2025. Casos envolvendo manipulação de dados, desvios de conduta, assédio e uso indevido de recursos levantaram alertas sobre a fragilidade da cultura organizacional.

O risco aqui não é apenas jurídico, é de imagem, valor de marca e continuidade de negócio. A previsão para 2026 é que o apetite regulatório e da sociedade por transparência e ética seguirá em alta, especialmente em mercados como o financeiro, o de tecnologia, saúde e infraestrutura.

Empresas que negligenciam a governança ética não apenas se tornam vulneráveis a crises — elas se tornam insustentáveis.

5. Regulações crescentes e fiscalizações rigorosas

As exigências de conformidade não param de crescer. O Digital Operational Resilience Act (DORA) na Europa, as atualizações do BACEN no Brasil e outras normas setoriais internacionais estão tornando o ambiente regulatório mais denso e mais difícil de atender sem preparação estruturada.

Em 2025, diversas empresas foram penalizadas por inatividade em planos de continuidade, falhas em testes de resiliência e ausência de governança de risco digital. O que era antes “boa prática”, hoje é exigência formal.

Em 2026, o desafio é triplo: interpretar as exigências, aplicá-las na prática e provar sua eficácia, especialmente por meio de testes, documentação, indicadores e simulações.

Ainda que o foco maior esteja em instituições financeiras, setores como saúde, tecnologia, energia e infraestrutura também vivem sob escrutínio. A não conformidade deixou de ser um risco reputacional, ela é hoje risco jurídico e financeiro real.

6. Exposição da alta liderança e erros de comunicação executiva

A crise gerada por líderes que comunicam mal, se expõem de forma equivocada ou adotam posturas inflexíveis tem sido recorrente. Em 2025, vimos executivos sendo afastados por postagens controversas, falas insensíveis e falta de empatia em momentos críticos.

Em um mundo hipervigiado, a imagem pessoal de um CEO ou de um executivo de alto nível pode se tornar o gatilho de uma crise institucional. Empresas são cobradas por coerência, e qualquer dissonância entre discurso e prática é amplificada pelo público.

Em 2026, a comunicação executiva será um dos principais ativos de proteção da reputação. Não se trata de evitar exposição, mas de treinar a liderança para lidar com transparência, empatia e clareza, especialmente diante de eventos inesperados.

7. Inatividade operacional por falhas tecnológicas

A hiperdependência de sistemas digitais coloca as empresas diante de um risco estrutural: a paralisação total ou parcial por falhas internas, erros de atualização, bugs de sistema, falhas em cloud ou quedas de conectividade.

Esses incidentes, que muitas vezes começam como um “major incident”, podem rapidamente escalar para uma crise, especialmente quando afetam canais de venda, atendimento a clientes, processos de pagamento ou produção crítica.

Em 2025, diversos episódios mostraram o quanto o tempo de resposta e a capacidade de escalonamento são cruciais. Em 2026, empresas que não possuem planos robustos, fluxos de resposta e critérios de ativação claros estarão vulneráveis a inatividade prolongada e, com isso, à desconfiança do mercado.

8. Instabilidade geopolítica e impacto nas operações

Por fim, 2025 deixou evidente o quanto conflitos geopolíticos, sanções comerciais, mudanças de governo e políticas protecionistas afetam diretamente os negócios, mesmo aqueles sem operação internacional direta.

Questões como a possível reeleição de Donald Trump, tensões no Oriente Médio, oscilações na política energética da Europa e conflitos envolvendo grandes players como China e Rússia criam efeitos indiretos sobre cadeias logísticas, custos de produção, flutuação cambial e decisões de investimento.

Em 2026, as empresas precisam acompanhar com atenção o cenário geopolítico e entender como seus contratos, operações e fornecedores estão expostos a variações externas. Ignorar esse fator é subestimar um risco silencioso e sistêmico.

Conclusão

O que este estudo revela é mais do que uma lista de ameaças. Revela que as empresas precisarão operar com um novo nível de vigilância, inteligência e preparo.

As ameaças listadas aqui não são distantes. Elas já demonstraram seu potencial em 2025 — e ganharão força em 2026. O que diferencia organizações resilientes daquelas que serão atingidas em cheio não é a sorte. É a qualidade da preparação, a maturidade da liderança e a disciplina em antecipar cenários críticos.

Estruturas como banco de planos de crise, planos de continuidade atualizados, comitês de crise treinados, critérios claros de ativação e simulações realistas não são mais diferenciais. São fundamentos de uma gestão de risco estratégica.

Mais do que reagir ao inesperado, 2026 exige empresas que saibam identificar sinais precoces, atuar com consistência e proteger o que realmente importa: sua operação, sua reputação e sua capacidade de continuar entregando valor ao mercado.

Tabela: Recomendações estratégicas por ameaça. WePlanBefore, 2026.