Gestão de Continuidade de Negócio em 2026: da análise de 2025 à implantação de uma estratégia resiliente
Como as tendências e os eventos de 2025 devem moldar as prioridades e dependências críticas da continuidade de negócio em 2026
Introdução: a continuidade de negócio como ferramenta de sobrevivência estratégica
A continuidade de negócio em 2026 deixou de ser um tema “operacional” para se consolidar como uma competência crítica e estratégica. Organizações resilientes não são aquelas que apenas respondem a crises, mas aquelas que antecipam riscos, mapeiam dependências essenciais e implantam mecanismos de recuperação que protegem valor, reputação e continuidade dos serviços.
O Relatório Global de Riscos de 2026, somado à análise das crises enfrentadas no ano anterior, oferece dados valiosos para direcionar a estratégia de continuidade nos próximos meses. Riscos de terceiros, interrupção de sistemas, ataques cibernéticos, escassez de talentos, dependência tecnológica e falta de integração entre planos continuam entre os maiores gatilhos de crises e de perdas operacionais.
Esse artigo analisa o cenário mais recente, identifica os aprendizados de 2025 e propõe áreas prioritárias para a implantação ou atualização do programa de Business Continuity em 2026.
O que 2025 nos ensinou sobre continuidade de negócio
1- A crise de um fornecedor é sua crise também
Empresas que consideravam apenas sua própria infraestrutura sofreram em 2025 com a paralisação de terceiros críticos, como sistemas SaaS indisponíveis por horas ou dias. Um dos maiores erros observados foi não tratar fornecedores como parte da estratégia de continuidade.
2- Ter o plano é diferente de testar o plano
Simulados se consolidaram como diferencial competitivo. Organizações que testaram suas estruturas de resposta (comitê, decisão, comunicação, DRP e BCP) responderam mais rapidamente às crises.
3- TI e dados estão no centro da continuidade
O aumento dos ciberataques expôs empresas que não integravam seus planos de continuidade aos planos de recuperação de TI. Em vários casos, não havia sequer um alinhamento claro entre RTOs (Recovery Time Objectives) e capacidades reais de recuperação.
4- A volta do presencial expõe dependências físicas
Com a volta de escritórios em modelo híbrido, surgiram crises operacionais que evidenciaram a falta de redundância em locais físicos, estações de trabalho, impressoras críticas ou centros de atendimento.
5- Crises de reputação exigem integração entre planos
Fake news, exposições éticas e falhas de comunicação em 2025 mostraram que não basta ter um plano técnico de continuidade se não houver uma engrenagem com a comunicação de crise e com a liderança treinada.
As cinco dependências críticas que moldam o Business Continuity em 2026
Com base no histórico recente e no Relatório Global de Riscos 2026, identificamos cinco pilares que devem ser considerados em qualquer análise de impacto (BIA) e na implantação de planos de continuidade:
1- Tecnologia da Informação (TI)
Serviços em nuvem, sistemas de gestão, ERPs, plataformas de atendimento e automação são indispensáveis. A falha ou lentidão de um sistema impacta a jornada do cliente, a entrega de serviços, a gestão de pessoas e o faturamento.
2- Terceiros e fornecedores críticos
É fundamental mapear os terceiros que executam processos essenciais, monitorar a resiliência deles, revisar contratos e definir planos de contingência quando um fornecedor falha. A continuidade precisa ser expandida para toda a cadeia de valor.
3- Dados (e quem tem acesso a eles)
A perda ou vazamento de dados é um dos riscos com maior impacto reputacional e regulatório. A continuidade precisa prever não apenas backup, mas também criptografia, gestão de acessos e protocolos de resposta a incidente.
4- Pessoas (e a gestão da ausência crítica)
Mais do que cargos, é preciso identificar quem detém o conhecimento crítico e como substituí-lo. Ausências inesperadas (greves, doenças, afastamentos, demissões coletivas) precisam de planos claros de substituição e treinamentos cruzados.
5- Espaços físicos e operações descentralizadas
O retorno ao modelo presencial ou híbrido fez crescer a dependência de escritórios, agências, centrais de atendimento ou plantas industriais. Qual é o plano se esse local for interditado ou destruído? Como manter a operação funcionando?
Implantação em 2026: o que deve estar no radar
Para um Business Continuity Program relevante em 2026, a empresa deve:
– Rever seu BIA, integrando os cinco pilares acima com foco em processos críticos
– Estabelecer RTOs e RPOs realistas, integrando à capacidade real da TI e dos terceiros
– Testar o plano ao menos uma vez ao ano, com envolvimento da liderança e cenários realistas
– Integrar os planos de continuidade com gestão de crise, comunicação e cyber
– Criar um dashboard de dependências críticas para a alta liderança
– Garantir treinamentos e cultura de continuidade entre as equipes
– Monitorar indicadores de prontidão e maturidade
Conclusão: continuidade como competência organizacional
Em um mundo volátil, interconectado e com riscos crescentes, o Business Continuity deixa de ser um plano guardado na gaveta e passa a ser um ativo vivo, treinado e atualizado. Empresas que falharam em 2025 tinham planos desatualizados, sem integração entre equipes, sem testes ou sem olhar para terceiros.
Em 2026, a continuidade se posiciona como ferramenta central de proteção do valor, da reputação e da entrega. Um programa eficaz não se limita a planilhas e documentos, mas constrói uma cultura que prepara pessoas, estrutura decisões, treina respostas e promove a resiliência organizacional real.
Continuar operando é apenas o básico. Ser resiliente é o que define os líderes do futuro.