Relatório Global de Riscos 2026: principais ameaças corporativas e por que prevenção e preparação definem organizações resilientes

Nos últimos meses, o time da WPB conduziu um estudo aprofundado sobre as principais ameaças que podem afetar organizações em diferentes setores, com base na análise de crises reais ocorridas ao longo de 2025. O objetivo foi identificar padrões, gatilhos recorrentes e fragilidades estruturais que continuam expondo empresas a impactos operacionais, reputacionais e estratégicos.

Ao consolidar essa análise, um ponto se destacou de forma consistente: grande parte das ameaças mapeadas converge diretamente com os riscos apontados no Relatório Global de Riscos 2026, publicado pelo World Economic Forum. Riscos cibernéticos, interrupções de terceiros, falhas tecnológicas, crises de informação, vazamento de dados e inatividade operacional aparecem de maneira recorrente tanto nos dados globais quanto na realidade vivida pelas organizações.

Essa convergência reforça uma constatação importante: os riscos corporativos mais relevantes hoje não são teóricos. Eles já estão se materializando e, em muitos casos, escalam rapidamente de incidentes operacionais para crises organizacionais. O diferencial entre as empresas não está na ausência de risco, mas no nível de prevenção e preparação prévia.

Este artigo parte dessa base analítica — combinando o estudo da WPB com as evidências do Relatório Global de Riscos 2026 — para analisar as principais ameaças corporativas atuais e demonstrar por que gestão de incidentes, continuidade de negócios e gestão de crise precisam operar de forma integrada para proteger operações, reputação e valor de longo prazo.

Riscos cibernéticos e tecnológicos como gatilhos de crise

Os dados de 2025 confirmam que ataques cibernéticos e falhas tecnológicas continuam sendo os principais gatilhos de interrupções críticas. Ransomware, indisponibilidade de sistemas, falhas em ambientes de nuvem e vazamento de dados deixaram de ser eventos pontuais para se tornarem riscos recorrentes.

O ponto crítico observado não foi apenas a ocorrência do incidente, mas a dificuldade das organizações em responder de forma coordenada. Em muitos casos, a área técnica identificou o problema rapidamente, mas não havia clareza sobre quando escalar o tema para a alta liderança, quais processos priorizar ou como conduzir a comunicação interna e externa.

Esse desalinhamento evidencia a importância de uma gestão de incidentes bem estruturada, conectada aos planos de continuidade de negócios e à gestão de crise. Sem essa integração, incidentes tecnológicos tendem a se transformar em crises prolongadas, com impacto direto na reputação e na confiança do mercado.

Interrupção de terceiros e dependência da cadeia de valor

Outro padrão identificado tanto no estudo da WPB quanto no Relatório Global de Riscos 2026 é a dependência crescente de terceiros e terceiros dos terceiros. Fornecedores de tecnologia, serviços críticos, plataformas em nuvem, logística e dados tornaram-se extensões diretas da operação.

Em 2025, diversas organizações sofreram interrupções significativas não por falhas internas, mas por indisponibilidade de fornecedores críticos. Em muitos casos, essas dependências não estavam mapeadas corretamente nos Business Impact Analyses (BIA), nem existiam planos de contingência viáveis.

A continuidade de negócios moderna precisa expandir seu escopo para além das fronteiras da organização. Prevenção significa visibilidade e governança da cadeia de valor. Preparação significa cenários realistas, planos alternativos e decisões previamente discutidas com a liderança, evitando respostas improvisadas sob pressão.

Vazamento de dados, informação e impacto regulatório

Vazamentos de dados e falhas no tratamento de informações sensíveis figuram entre os riscos de maior impacto no cenário atual. Além dos prejuízos operacionais, esses eventos trazem consequências regulatórias, jurídicas e reputacionais que podem comprometer a sustentabilidade do negócio.

O que se observa com frequência é que a crise não se instala apenas pela falha técnica, mas pela ausência de resposta coordenada. Falta clareza sobre responsabilidades, a comunicação é tardia ou inconsistente, e a liderança não está preparada para responder a autoridades, clientes e stakeholders.

Nesse contexto, a integração entre gestão de incidentes, continuidade de negócios e gestão de crise é fundamental para garantir respostas rápidas, juridicamente seguras e alinhadas à estratégia reputacional da organização.

Pessoas, liderança e conhecimento crítico como risco operacional

Um risco menos visível, mas igualmente relevante, diz respeito às pessoas e ao conhecimento crítico. Ausências inesperadas, alta rotatividade, conflitos internos ou falhas de liderança foram gatilhos reais de interrupções operacionais em 2025.

Organizações que não identificam funções críticas, não promovem redundância de conhecimento e não treinam sucessores ficam expostas a crises silenciosas, mas profundas. A preparação passa por mapear pessoas críticas dentro do BIA, estruturar planos de substituição e envolver a liderança em decisões que equilibram performance, sustentabilidade e continuidade.

Operações físicas e continuidade no retorno ao escritório

Com a retomada parcial do trabalho presencial, riscos relacionados a prédios, infraestrutura física, transporte e acesso voltaram ao radar das organizações. Interdições, falhas de energia, eventos climáticos e problemas urbanos impactaram diretamente operações descentralizadas, agências, plantas industriais e centros de atendimento.

A continuidade de negócios precisa considerar o espaço físico como ativo crítico, especialmente em modelos híbridos. Ignorar essa dependência pode gerar interrupções inesperadas e comprometer a capacidade de resposta da organização.

Prevenção e preparação como diferencial competitivo

Os dados analisados mostram que prevenção reduz a probabilidade, mas é a preparação que reduz o impacto. E impacto é o que define se um evento será tratado como um incidente controlado ou como uma crise organizacional.

Organizações resilientes não são aquelas que evitam todos os riscos, mas aquelas que:

– identificam incidentes rapidamente;
– ativam planos de continuidade com clareza;
– escalam decisões no momento adequado;
– comunicam com consistência;
– aprendem com eventos reais e atualizam seus planos.

Isso só é possível quando gestão de incidentes, continuidade de negócios e gestão de crise funcionam como um sistema integrado, patrocinado pela liderança e testado regularmente.

Conclusão

Os principais riscos corporativos do cenário atual não são desconhecidos. O que diferencia as organizações é a forma como elas se preparam antes que esses riscos se materializem.

O estudo conduzido pela WPB, em convergência com o Relatório Global de Riscos 2026, reforça que preparação não é custo, é estratégia. Em um ambiente cada vez mais volátil e interconectado, a capacidade de responder com método, coordenação e liderança é o que protege operações, reputação e valor de longo prazo.

Mais do que planos, as organizações precisam construir competência organizacional para lidar com o inesperado — de forma estruturada, integrada e contínua.